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Crise de negócios ou queda de inicialização ilustração de falha financeira e queda de mercado Vetor grátis
Um breve desabafo… na minha casa moram, contando comigo, três pessoas: minha esposa, minha mãe e eu. Primeiro foi minha esposa, formada em artes visuais e pós graduada em artes cênicas, dava aulas de artes em colégio público e particular, e no ínterim ainda levava uma malinha onde vendia umas lingeries pra mulherada... mas havia um problema, minha esposa não era concursada, não havia estabilidade, então um dia o estado achou por bem não renovar mais o contrato com a professora (ela e tantos outros), noutro dia, logo em seguida, a escola particular, com altíssimos índices de inadimplência dos pais, optou por encerrar as atividades, “não era mais viável” eles disseram, e fecharam… Entre um bico aqui e acolá, está desempregada;

Depois veio minha mãe, a 20 anos trabalhando numa mesma empresa, no seguimento de vendas de barra de aço para o ramo de metalurgia. A empresa ia muito bem, vendendo bem, afinal este segmento no Brasil é aquecido quase que 100% pela petrobras, uma das maiores do mundo, não tinha como dar errado, certo? Pois é, deu. Após os escândalos, não só a empresa de minha mãe precisou encerrar as atividades, mas tantas outras… Entre um bico aqui e acolá, está desempregada;

Por último veio eu, eu mesmo… Me formei em Direito, fiz pós em direito tributário, virei advogado, orgulho a minha mãe e da família. Estagiei e trabalhei em multinacional, estagiei e trabalhei em escritórios de advocacia de grande porte, depois meti as caras, abri meu próprio escritório junto com alguns colegas, pequeno e simples, nada de mais, mas muita vontade de trabalhar, havíamos encontrado um segmento pouco explorado pela advocacia, assessorando micro e pequenos empresas que se mostravam estruturadas no mercado (empresas já com alguns funcionários e crescendo), nosso slogan era “o departamento jurídico da sua empresa”, cada empresa nos pagavam em média 1-2 salários mínimos mês (bem parecido com a ideia de contabilidade), com isso, conseguíamos um “valor fixo” por mês (o mais difícil para advogados autônomos), e mais uma ou outra demanda avulsa que aparecia aqui e acolá, estudei inglês e espanhol, tudo como pede o figurino... Quando a primeira empresa-cliente fechou, mantivemos o entusiasmo, vamos conseguir outras duas! Falávamos!… uma a uma foi encerrando as atividades, a crise bateu feio no pequeno empreendedor. Passei então, desde janeiro de 2017 a procurar emprego, voltar pro mercado de trabalho formal, acreditei que tinha qualificação e experiência necessária, e que rapidamente conquistaria uma vaga, mal sabia, mais de 03 mil currículos enviados depois, a quase 02 anos, pagando catho e infojobs, ainda pago linkedin, cadastrado em tudo conter ferramenta que podem imaginar (Vagas, Indeed, Infojobs, Linkedin, SINE, Amarelinho, etc), enviando emails direto aos recrutadores, e 99,9% sem feedback, também 500 pessoas por vaga, será que eles viram meu cv? Enfim, nenhuma oportunidade… Entre um bico aqui e acolá, estou desempregado.

Por vezes, observo verdadeiras pessoas reclamonas, desculpem o termo, reclamam de tudo no seu emprego, não porque trabalham num regime de semi escravidão, ou porque sofrem abusos de todo o tipo, mas por pequenezas, futilidades, mimimi. Espero que um dia essas pessoas descubram que o reconhecimento não vem assim, é exatamente a forma oposta. Sabe o que é pior do que acordar cedo pra ir trabalhar? É acordar cedo e não ter pra onde ir, isso é desesperador, é sufocante, você fica sem perspectivas… Sabe aquele sonho de viajar? de trocar de carro? conquistar sua casa ou até mesmo fazer um puxadinho? Então, já era! Sua preocupação basicamente é sobreviver, conseguir pagar contas de subsistência (água, luz e gás). Hoje, com bicos aqui e acolá, com renda familiar inferior a 03 salários mínimos, e uma prestação de apartamento e consome mais a metade disso, utilizo essa rede pra dizer ao mercado: Tá foda!

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